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7 de outubro de 2026 9 min de leitura

Carta mensal – Outubro 2026

A Mudança de Rota

O primeiro turno de 4 de outubro trouxe o primeiro sinal concreto de uma mudança de rota para os ativos brasileiros: no pregão seguinte, o Ibovespa subiu 7,7%, o dólar caiu 4,1% e a parte longa da curva de juros fechou mais de 100 pontos-base. A alocação da Ghia Multi Family Office, porém, não depende de acertar o resultado do segundo turno, em 25 de outubro.

Na carta do mês passado, a Ghia argumentou que a economia brasileira estava em rota de colisão, com atividade em desaceleração, juros sufocantes e descontrole fiscal, e que as eleições teriam papel decisivo para definir se seguiríamos nela. A Carta Mensal de outubro, “Mudança de Rota”, mostra o que o mês trouxe lá fora, o que mudou aqui e como a gestão de patrimônio familiar se posiciona daqui até o segundo turno.

Setembro lá fora: Fed em alta e juros longos nas máximas em quase duas décadas

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde 2023, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, e sinalizou mais uma alta à frente. A decisão reflete uma inflação pressionada pela energia, com o petróleo rondando os US$ 100 o barril, e uma atividade que ainda resiste aos juros elevados. O mercado de trabalho, no entanto, começa a perder força: a criação de vagas em setembro veio bem abaixo do esperado e o desemprego subiu para 4,2%, um sinal que pode levar o Fed a rever essa trajetória nos próximos meses.

A principal preocupação do mês veio da ponta longa das curvas de juros. As taxas de 10 anos dos Estados Unidos e de vários países desenvolvidos atingiram os maiores níveis em quase duas décadas, superando inclusive os picos de 2007. O movimento vai além da inflação: reflete um receio crescente com as contas públicas dessas economias, que convivem com déficits elevados e endividamento em alta. Os investidores passaram a exigir um prêmio maior para financiar esses governos no longo prazo, e a renda fixa global apresentou forte correção.

O AGG e os Treasuries de 7 a 10 anos entraram no campo negativo em 2026. O dólar se fortaleceu porque, com o Fed subindo juros e os Treasuries pagando mais, os ativos americanos ganham atratividade relativa, e a moeda ainda funciona como porto seguro em momentos de maior aversão a risco. Na contramão do ambiente adverso, as empresas de tecnologia mostraram mais uma vez a força de seus fundamentos: o Nasdaq subiu, sustentado pelas companhias ligadas à inteligência artificial.

Brasil: atividade fraca, Selic em 13,75% e ativos em alta

A economia real segue perdendo ritmo. O IBC-Br, prévia do PIB, caiu em junho e em julho, e o PIB do segundo trimestre cresceu 0,48%, menos da metade do ritmo do primeiro. Com isso, o Copom cortou a Selic para 13,75%, mas sem sinalizar os próximos passos: a inflação ainda acima da meta, com o IPCA-15 de setembro novamente surpreendendo para cima, e a incerteza eleitoral pesam sobre a condução da política monetária.

Os ativos financeiros, por outro lado, viveram um mês muito positivo. Com a corrida eleitoral cada vez mais competitiva, o investidor estrangeiro voltou, com entrada líquida de R$ 9,6 bilhões, o Ibovespa subiu 5,0% e a curva de juros fechou, levando o IMA-B, índice de títulos públicos atrelados à inflação, a uma alta de 3,2% no mês.

O primeiro turno e o recado ao Congresso

Até a véspera da eleição, cinco dos seis principais institutos de pesquisa davam Lula numericamente à frente. As urnas inverteram o quadro: Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,9 ponto percentual. A disputa segue para o segundo turno, em 25 de outubro, com o candidato da oposição largando à frente.

Mais relevante do que o placar presidencial foi o recado dado ao Congresso. No Senado, onde 54 das 81 cadeiras estavam em disputa, a bancada de direita saltou de 32 para 48 senadores, e o PL terá 28 senadores a partir de 2027, a maior bancada da Casa desde 1988. Na Câmara, a direita sozinha passou a deter 259 das 513 cadeiras, acima da maioria absoluta. Somados direita e centro, são 389 deputados e 65 senadores, acima dos quóruns necessários para aprovar emendas constitucionais (308 e 49, respectivamente).

Nos estados, o movimento foi na mesma direção: a direita venceu em 10 dos 20 estados já definidos e lidera em 6 dos 7 que vão ao segundo turno. Na prática, seja quem for o próximo presidente, ele governará com um Congresso mais ortodoxo. Se Flávio vencer, terá base ampla para uma agenda de reformas; se Lula for reeleito, enfrentará um Legislativo bem menos receptivo.

Como o mercado reagiu em 5 de outubro

Na segunda-feira, 5 de outubro, o Ibovespa subiu 7,7%, na maior alta diária desde 2020, e renovou sua máxima histórica aos 206,9 mil pontos, puxado pelo investidor estrangeiro, que aportou cerca de R$ 10 bilhões na bolsa em um único pregão, praticamente o mesmo volume que havia entrado em todo o mês de setembro. O dólar caiu 4,1%, de R$ 5,22 para R$ 5,00, na contramão do fortalecimento global da moeda americana.

Na renda fixa, a parte longa da curva de juros fechou mais de 100 pontos-base em um único pregão. Os maiores ganhos ficaram com os setores mais sensíveis aos juros e à economia doméstica, como varejo, bancos, mercado de capitais e construção, enquanto exportadoras como Suzano e Embraer caíram com o real mais forte.

A leitura por trás do movimento é que o mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma agenda reformista a partir de 2027, com o ajuste fiscal no centro. A equipe de Flávio Bolsonaro tem sinalizado cortes de gastos de cerca de 1,5% do PIB (algo próximo de R$ 190 bilhões), uma nova regra fiscal e a redução do número de ministérios. Com a dívida pública em 82,9% do PIB, a trajetória fiscal era justamente o principal desconto embutido nos ativos brasileiros. Como a Ghia escreveu na carta passada, o mercado antecipa e reage às probabilidades, e não à concretização dos fatos.

O que o mercado acompanha até 25 de outubro

A disputa entra em uma nova fase, com estratégias distintas. Flávio Bolsonaro trabalha para consolidar apoios de peso: Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Michel Temer já declararam apoio, e PP e União Brasil tendem a seguir o mesmo caminho. Lula aposta em uma mudança na comunicação da campanha e na busca pelo eleitor de centro, afastando-se do STF e propondo uma reforma do Judiciário. A definição deve passar pelo destino dos 7,8% dos votos dados aos demais candidatos.

O calendário das próximas semanas concentra os eventos que o mercado vai acompanhar de perto: as primeiras pesquisas de segundo turno, o horário eleitoral, que começa em 9 de outubro, e os debates entre os candidatos.

Há uma ressalva sobre a força do movimento. A reprecificação dos ativos reflete uma expectativa maior de que uma agenda reformista avance a partir de 2027, e não a garantia de que isso acontecerá. Essa agenda depende, em primeiro lugar, do resultado do segundo turno e, mais do que isso, de que seja de fato entregue. A nova composição do Congresso ajuda, mas o desafio segue grande: medidas de ajuste fiscal costumam enfrentar forte resistência e exigem capital político para avançar. Por isso, a definição da equipe econômica e o detalhamento das propostas serão decisivos para a continuidade do movimento.

Alocação de patrimônio: o que a Ghia mantém, independentemente do resultado

A alocação da Ghia não depende de acertar o resultado de 25 de outubro, nem da velocidade com que as reformas serão implementadas. As carteiras já vinham posicionadas para capturar a opcionalidade eleitoral sem abrir mão da proteção, e foi isso que se viu funcionar nas últimas semanas. Os pilares da posição atual, segundo a carta:

  • Títulos atrelados à inflação: visão construtiva, com taxas reais em patamares historicamente elevados mesmo após o fechamento recente.
  • Bolsa local e fundos imobiliários: também com visão construtiva. Os fundos imobiliários negociam com desconto e são diretamente beneficiados por uma eventual queda dos juros.
  • CDI: segue calibrando o risco das carteiras, com carrego ainda elevado.
  • Diversificação internacional: continua sendo um pilar, pois protege as famílias caso o cenário local se frustre e garante acesso aos vetores de crescimento global, que seguem passando pela tecnologia.

A Ghia segue acompanhando cada etapa até o segundo turno e está preparada para ajustar as posições conforme o cenário evolua.

 

Por que o Ibovespa subiu 7,7% depois do primeiro turno das eleições? Porque o mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma agenda reformista a partir de 2027, com o ajuste fiscal no centro. Em 5 de outubro, o investidor estrangeiro aportou cerca de R$ 10 bilhões na bolsa em um único pregão, o dólar caiu 4,1% e a parte longa da curva de juros fechou mais de 100 pontos-base. A carta ressalva que o movimento reflete uma expectativa, e não a garantia de que as reformas serão entregues.

Como um Family Office decide onde alocar o patrimônio em ano eleitoral? Na leitura da Ghia, a alocação não deve depender de acertar o resultado da eleição nem da velocidade das reformas. A posição descrita na carta de outubro combina títulos atrelados à inflação, bolsa local e fundos imobiliários com o CDI como calibrador de risco e a diversificação internacional como proteção caso o cenário local se frustre.

O que o Fed fez em setembro e por que os juros de 10 anos subiram? O Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde 2023, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, e sinalizou mais uma alta. Os juros de 10 anos dos Estados Unidos e de vários países desenvolvidos atingiram os maiores níveis em quase duas décadas, em um movimento que reflete também o receio com déficits elevados e endividamento em alta, e não apenas a inflação.

Fontes: FRED/OCDE, Investing.com, Comdinheiro, B3, ANBIMA, TSE, DIAP, Senado Federal  |  Ghia Multi Family Office  |  Carta Mensal, Ghia Multi Family Office, 8 de outubro de 2026

*Este material foi preparado pela Ghia Multi Family Office (“Ghia MFO”) e tem cunho meramente informativo, não constituindo consultoria ou aconselhamento legal de qualquer natureza. Embora as informações tenham sido obtidas de fontes consideradas confiáveis, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. A Ghia MFO emprega os melhores esforços para assegurar que as informações, opiniões, estimativas e projeções aqui contidas estejam atualizadas no momento de sua elaboração, mas não responde por alterações decorrentes de eventos futuros. Este material não constitui e não deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta, convite, análise de valor mobiliário ou recomendação de qualquer ativo financeiro ou investimento, e não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de qualquer investidor. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Os interessados devem procurar aconselhamento financeiro conforme seus interesses antes de tomar qualquer decisão de investimento, sendo esta de sua exclusiva responsabilidade.

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