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25 de agosto de 2026 6 min de leitura

Ghia Global - Por que o resultado da NVIDIA importa mais do que parece

Os modelos chineses de código aberto encurtaram a distância para os líderes americanos em poucos meses. A discussão sobre IA deixou de ser só sobre crescimento: passou a ser sobre quem vai capturar o valor.

O resultado trimestral da NVIDIA, divulgado nesta semana, virou o principal termômetro da corrida global pela inteligência artificial. Mas o mercado já não está satisfeito em ver a empresa superar expectativas: quer evidências de que o ciclo de investimentos em IA vai se traduzir em lucro sustentável para toda a cadeia, não só para a NVIDIA.

A dualidade por trás do investimento em IA

Poucos temas mobilizaram tanto capital e expectativa nos mercados globais quanto a inteligência artificial. Nos últimos anos, a narrativa passou rapidamente da descoberta de uma nova tecnologia para uma verdadeira corrida pela construção da infraestrutura necessária para sustentá-la. Data centers, chips, energia e capacidade computacional passaram a receber investimentos de centenas de bilhões de dólares, enquanto empresas de tecnologia disputam a liderança de uma transformação que pode redefinir diversos setores da economia.

É justamente aí que surge a principal dualidade em torno da IA. Para uma parte do mercado, ela é o grande motor de produtividade e crescimento dos lucros para os próximos anos: se a tecnologia conseguir automatizar processos, aumentar a produtividade e criar novos produtos e serviços, o enorme investimento realizado hoje poderá se transformar em ganhos econômicos relevantes no futuro.

Para outra parte, entretanto, o tamanho desses investimentos começa a despertar dúvidas. O mercado está colocando muito capital na construção da infraestrutura de IA, mas ainda existe uma questão fundamental a ser respondida: os retornos econômicos serão grandes o suficiente para justificar todo esse investimento?

Essas são as duas faces da mesma moeda. O mercado oscila entre essas duas possibilidades, e o tom mais pessimista aparece quando outros temas são ligeiramente esquecidos. Um exemplo atual é o conflito entre EUA e Irã. Quando o tema da guerra se acalma e se aquieta, o mercado lembra do tema de IA. Quando a guerra degringola e estressa, o mercado deixa o tema de IA um pouco de lado.

Até aqui, os números continuam dando suporte à tese otimista. A temporada de resultados do segundo trimestre, apesar de ainda não ter terminado, reportou uma proporção maior de empresas do S&P 500 superando as expectativas tanto de lucro quanto de receita, enquanto o consenso projeta um segundo trimestre consecutivo de crescimento superior a 20% nos lucros do índice. A expansão dos investimentos em IA aparece como um dos principais vetores por trás desse desempenho.

Os modelos chineses estão encurtando a distância

Mas há uma mudança importante acontecendo dentro dessa história. A discussão já não é apenas sobre o quanto a IA pode crescer, mas sobre quanto custará para desenvolvê-la e, principalmente, quem conseguirá capturar esse valor.

A evolução dos modelos chineses ajuda a explicar essa mudança. Nos últimos meses, empresas chinesas vêm avançando rapidamente no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial que reduzem cada vez mais a distância em desempenho com algumas das principais soluções americanas, mas a custos significativamente menores. Segundo a Bloomberg Línea, alguns modelos chineses chegam a apresentar preços até 80% inferiores aos seus equivalentes do Vale do Silício.

O avanço de empresas como DeepSeek, Alibaba e Moonshot AI mostra que a liderança tecnológica americana pode não significar necessariamente liderança econômica permanente. O surgimento de modelos como o Kimi K3 reforça uma tendência que pode ser ainda mais importante: a inteligência artificial pode estar se tornando mais acessível, abundante e barata do que se imaginava inicialmente.

O que o avanço em cibersegurança revela

Um exemplo concreto dessa aproximação vem dos testes de cibersegurança em escala real. Entre 2025 e 2026, o desempenho de agentes de IA na reprodução de vulnerabilidades, medido pelo CyberGym Nível 1, saltou de menos de 10% para mais de 80%.

Desempenho em cibersegurança dos modelos de IACyberGym Nível 1: % de CVEs reproduzidas, por modelo80% (Frontier Zone)MDASH (Multi-Model)88,4%OPT-5.5-Cyber85,6%Mythos83,1%GLM-5.168,7%Claude 4.5/4.650,6–66,6%GLM-543,2%GLM-4.723,5%US Frontier (Anthropic / OpenAI / Microsoft)Chinese Open-Weight (Zhipu/GLM, Kimi)Progressão chinesa: 23,5% → 43,2% → 68,7%(~45 p.p. em quatro meses). Lançamentos: jan/2025 a jul/2026.
O destaque do gráfico é a rápida ascensão dos modelos chineses de código aberto, que ganharam cerca de 45 pontos percentuais em apenas quatro meses: de GLM-4.7 (23,5%) a GLM-5 (43,2%) e GLM-5.1 (68,7%). Isso encurtou drasticamente a distância para os líderes americanos.

Esse gráfico ilustra bem o argumento: temos o avanço acelerado dos agentes de IA em testes de cibersegurança, e o grande destaque que fica palpável é justamente essa ascensão chinesa, que encurta a distância para líderes de mercado como OpenAI e Anthropic.

Por que o resultado da NVIDIA importa mais do que parece

Nesse sentido, poucos resultados trimestrais serão tão importantes nesse debate quanto o da NVIDIA. A companhia se tornou um dos principais termômetros da corrida pela inteligência artificial, e seu resultado, reportado nesta semana, chega em um momento particularmente sensível para o mercado. As expectativas são novamente elevadas, refletindo o forte crescimento da demanda por seus chips e a continuidade dos investimentos dos grandes players de tecnologia.

O desafio, porém, é que superar expectativas já não parece suficiente.

Depois de uma sequência de resultados extraordinários, o mercado começa a exigir evidências de que o ciclo de investimentos em IA continuará se traduzindo em crescimento sustentável de lucros, não apenas para a NVIDIA, mas para toda a cadeia. É por isso que o próximo resultado pode ser mais importante pelo que disser sobre o futuro do que pelo que revelar sobre o trimestre passado.

Uma nova fase da corrida pela IA

A corrida pela IA inaugura uma nova fase. Enquanto o momento inicial foi marcado pela capacidade bruta para desenvolver a tecnologia, o foco agora se desloca para a monetização e a eficiência dos modelos.

E, nesse sentido, a tese de IA permanece intacta. Mas os vencedores dessa tese podem não ser os mesmos que o mercado imaginava há alguns anos.

Os modelos de IA chineses estão alcançando os americanos?

Estão encurtando a distância rapidamente em pelo menos uma frente concreta: testes de cibersegurança em escala real, onde modelos chineses de código aberto (como a família GLM) ganharam cerca de 45 pontos percentuais em quatro meses, a custos até 80% menores que os equivalentes americanos, segundo a Bloomberg Línea.

Por que o resultado da NVIDIA é tão importante para o mercado?

Porque a empresa se tornou o principal termômetro da corrida por IA. Depois de uma sequência de resultados extraordinários, o mercado deixou de se contentar em ver a NVIDIA superar expectativas: agora exige evidências de que o ciclo de investimentos em IA vai se traduzir em crescimento sustentável de lucros para toda a cadeia.

Fontes: Bloomberg Línea, resultados corporativos do S&P 500 (2T26), CyberGym  |  Ghia Multi Family Office  |  Ghia Global, edição de 25 de agosto de 2026

*Este material foi preparado pela Ghia Multi Family Office (“Ghia MFO”) e tem cunho meramente informativo, não constituindo consultoria ou aconselhamento legal de qualquer natureza. Embora as informações tenham sido obtidas de fontes consideradas confiáveis, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. A Ghia MFO emprega os melhores esforços para assegurar que as informações, opiniões, estimativas e projeções aqui contidas estejam atualizadas no momento de sua elaboração, mas não responde por alterações decorrentes de eventos futuros. Este material não constitui e não deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta, convite, análise de valor mobiliário ou recomendação de qualquer ativo financeiro ou investimento, e não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de qualquer investidor. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Os interessados devem procurar aconselhamento financeiro conforme seus interesses antes de tomar qualquer decisão de investimento, sendo esta de sua exclusiva responsabilidade.

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