O Banco Central conduz um amplo monitoramento da conjuntura para informar as decisões de política monetária mais compatíveis com seu objetivo fundamental: promover a estabilidade dos preços. Isso envolve a elaboração de um cenário prospectivo e, mais do que isso, a comunicação objetiva e transparente com os demais agentes da economia. Parte desse processo é realizado pelos comunicados e atas do Copom, e outra parte é representada pelos Relatórios de Política Monetária (RPM), documentos trimestrais extensos e abrangentes a respeito do cenário atual, prospectivo e dos métodos técnicos por trás de cada conclusão. Estes foram os destaques do RPM deste trimestre:
A VISÃO DE CONJUNTURA DO COPOM
Em síntese, o RPM ecoou a ata da 271ª Reunião do Copom, sinalizando o cenário de juros mais altos por mais tempo – em linha com nosso cenário-base. A conjunção de fatores por trás dessa visão envolve o cenário externo adverso e incerto – ora por conta das tarifas de Trump, ora por conta dos conflitos no Oriente Médio – e a expectativa de desaceleração lenta da economia brasileira.
No cenário doméstico, os dados de atividade econômica e do mercado de trabalho apresentaram-se um pouco mais fortes que o esperado pelo Copom no final do 1T. O mercado de trabalho permaneceu aquecido, com a taxa de desocupação recuando para seu mínimo histórico e com firme geração de empregos formais. Mesmo assim, foi observada, no 2T, alguma desaceleração nos setores mais cíclicos da economia.
Com a atividade maior que o esperado no 1T, o Copom elevou a projeção para o PIB de 2025 de 1,9% para 2,1% e revisou para cima o hiato do produto medido no 1T, de 0,6% para 0,9%. No 2T, refletindo a avaliação de que houve moderação na atividade, o hiato recuou para 0,5%, com expectativa de que continue caindo nos próximos trimestres. Vale frisar: apesar da moderação, o hiato permanece positivo, majoritariamente por conta do aquecimento do mercado de trabalho.
O hiato do produto é uma variável não observável que reflete o quanto uma economia está próxima do pleno emprego (hiato = crescimento observado – crescimento potencial).
Um hiato do produto positivo significa que há crescimento além do potencial, ao passo que gera pressões inflacionárias. Por outro lado, um hiato negativo significa que a economia está operando com capacidade ociosa.
TAXA SELIC: HIGHER FOR LONGER
Ainda que tenha ocorrido algum alívio recente nos preços e nas expectativas do Boletim Focus, o IPCA corrente permaneceu pressionado e com a inflação de serviços, especialmente, ainda em níveis incompatíveis com a meta. Mesmo para períodos mais longos, o Copom não prevê o atingimento do centro da meta (3,0%) nem mesmo no quarto trimestre de 2027 – e o mercado também não enxerga alívio tão cedo.
Este conjunto de fatores culmina na conclusão apresentada no RPM:
“assegurar a convergência da inflação à meta em um ambiente de expectativas desancoradas exige uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

Nas projeções de curto prazo do Copom (até setembro), as medidas do IPCA acumulado em 12 meses continuarão acima 4,5%, intervalo de tolerância para cumprimento da meta de inflação:
• Para alimentação no domicílio, espera-se moderação ligada à sazonalidade favorável;
• Em industriais, é esperado que a inflação se afaste do atual nível historicamente elevado e comece a moderar a partir do 4T25;
• No caso de serviços, a inflação deve continuar elevada em virtude da inércia desses preços e do mercado de trabalho ainda apertado.
*Este material foi preparado pela Ghia Multi Family Office (“Ghia MFO”) e tem cunho meramente informativo, não constituindo consultoria ou aconselhamento legal de qualquer natureza. Embora as informações tenham sido obtidas de fontes consideradas confiáveis, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. A Ghia MFO emprega os melhores esforços para assegurar que as informações, opiniões, estimativas e projeções aqui contidas estejam atualizadas no momento de sua elaboração, mas não responde por alterações decorrentes de eventos futuros. Este material não constitui e não deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta, convite, análise de valor mobiliário ou recomendação de qualquer ativo financeiro ou investimento, e não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de qualquer investidor. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Os interessados devem procurar aconselhamento financeiro conforme seus interesses antes de tomar qualquer decisão de investimento, sendo esta de sua exclusiva responsabilidade.