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Uma vitória incompleta

A Operação Epic Fury degradou a capacidade militar iraniana. Dos cinco objetivos estratégicos anunciados, nenhum foi plenamente alcançado.

16 de junho de 2026 4 min de leitura

Após três meses e meio de hostilidades, EUA e Irã chegaram a um acordo preliminar de paz. No Líbano, onde Israel vinha conduzindo ataques contra o Hezbollah, os combates também começaram a perder intensidade. O petróleo recuou. Nas ruas iranianas, o alívio surgiu de forma tímida, quase desconfiada — e o mesmo ocorreu nos mercados de capitais ao redor do mundo.

Depois de milhares de vidas perdidas e de meses em que a economia global viveu sob a sombra do conflito, emergiu a esperança de que a guerra estivesse, enfim, se aproximando de seu desfecho. Os objetivos anunciados por Trump eram ambiciosos. Meses depois, o balanço é mais sóbrio: a Operação Epic Fury degradou a capacidade militar iraniana, mas nenhum dos objetivos estratégicos foi plenamente alcançado.

Os cinco objetivos e o resultado de cada um

1. Obliterar a indústria de mísseisOs EUA declaram o programa “funcionalmente destruído”, mas o Irã seguia disparando cerca de 20 mísseis por dia e a produção doméstica não foi erradicada. Parcial
2. Aniquilar a marinha iranianaO Pentágono alega 90% da frota e 95% das minas destruídas — o maior avanço militar da operação. Ainda assim, a navegação segura por Ormuz seguiu comprometida. Parcial
3. Neutralizar as proxies terroristasA operação mirou o Irã diretamente; Hezbollah, Houthis e milícias xiitas no Iraque não foram desarticulados. Não alcançado
4. Impedir a arma nuclearInstalações foram atingidas, mas o urânio enriquecido permanece em bunkers subterrâneos cuja destruição exigiria uma operação que não ocorreu. Inconclusivo
5. Promover uma mudança de regimeKhamenei foi morto, mas sucedido pelo filho, Mojtaba. A estrutura teocrática se manteve — uma troca de liderança, não de regime. Não alcançado

Fonte: declarações oficiais e avaliações de especialistas. Elaboração: Ghia MFO.

O conflito nos mercados financeiros

Reação por mercado
Mercado / ativo Reação ao conflito Magnitude / referência
Petróleo (Brent) Disparou com o fechamento do Estreito de Ormuz ▲ ~US$ 70 → US$ 120+ (+71%)
Gasolina (varejo, EUA) Repasse rápido ao consumidor ▲ > US$ 4/galão — 1ª vez desde 2022
Diesel (varejo, EUA) Alta ainda maior; pressiona o frete ▲ US$ 3,76 → US$ 5,45 (+45%)
Ações (S&P 500) Pior trimestre desde 2022 ▼ −4,6% no 1º tri/26
Juros (Treasury 10 anos) Subiram, contrariando a aversão a risco ▲ travam os cortes do Fed
Inflação cheia (EUA) Choque de oferta de energia ▲ +0,6 p.p. em 2026 (est. CEPR)

Fontes: Pentágono, AIE, EIA, AAA, CEPR, Morgan Stanley, Associated Press. Elaboração: Ghia MFO.

Uma conclusão incômoda

Ao observar os resultados do conflito, torna-se difícil escapar de uma conclusão incômoda: os ganhos estratégicos parecem modestos diante da magnitude dos custos incorridos. Ao longo de mais de três meses, o mundo conviveu com a ameaça de uma interrupção prolongada do comércio global, forte volatilidade nos mercados financeiros, alta nos preços da energia e renovadas preocupações inflacionárias. Milhares de vidas foram perdidas, bilhões de dólares foram consumidos em operações militares e a economia global absorveu mais um choque de incerteza.

Ainda assim, quando a fumaça começa a se dissipar, o quadro que emerge é de continuidade mais do que de transformação. O programa nuclear iraniano não foi definitivamente eliminado, os grupos aliados de Teerã permanecem ativos, a estrutura política da República Islâmica segue intacta e a influência regional do país continua sendo um fator relevante no Oriente Médio. Houve degradação militar significativa, mas os principais objetivos políticos que justificaram a intervenção permanecem, em maior ou menor grau, sem solução definitiva.

Os mercados parecem ter reconhecido essa realidade. A melhora recente dos ativos reflete principalmente a redução do risco de escalada, e não a percepção de que uma nova ordem regional tenha sido construída. Em outras palavras: o mundo celebra o fim da crise, não necessariamente o sucesso da estratégia.

Se este for realmente o capítulo final da Operação Epic Fury, ele deixa uma pergunta inevitável: teria sido possível alcançar um resultado semelhante sem os enormes custos humanos, econômicos e geopolíticos acumulados ao longo do caminho?

Afinal, após meses de guerra, o Oriente Médio parece menos à beira do abismo do que há algumas semanas — mas não substancialmente diferente do que era antes de o conflito começar.

Fontes: Pentágono, AIE, EIA, AAA, CEPR, Morgan Stanley, Associated Press  |  Ghia Multi Family Office  |  16 de junho de 2026

 

 

*Este material foi preparado pela Ghia Multi Family Office (“Ghia MFO”) e tem cunho meramente informativo, não constituindo consultoria ou aconselhamento legal de qualquer natureza. Embora as informações tenham sido obtidas de fontes consideradas confiáveis, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. A Ghia MFO emprega os melhores esforços para assegurar que as informações, opiniões, estimativas e projeções aqui contidas estejam atualizadas no momento de sua elaboração, mas não responde por alterações decorrentes de eventos futuros. Este material não constitui e não deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta, convite, análise de valor mobiliário ou recomendação de qualquer ativo financeiro ou investimento, e não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de qualquer investidor. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Os interessados devem procurar aconselhamento financeiro conforme seus interesses antes de tomar qualquer decisão de investimento, sendo esta de sua exclusiva responsabilidade.

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