Eleições 2026: o que está em jogo para os juros e a dívida pública do Brasil
O report temático de outubro da Ghia Family Office relaciona o resultado das urnas a três pontos: juros reais altos, contas públicas e o plano fiscal que o próximo governo precisa apresentar.
O grande dilema do país nas eleições de 2026 são os juros altos, e a causa apontada é fiscal, segundo o report temático da Ghia Family Office. Quem vencer só conseguirá derrubar os juros de forma duradoura se tiver um plano fiscal crível, e isso precisa vir logo no início do mandato.
De acordo com o report, a vitória ampla da oposição no 1º turno tirou boa parte dos prêmios de risco num único dia: o Ibovespa subiu 7,7% e os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base (1 ponto percentual) nos vértices mais longos da curva DI. Para esse ganho se manter, o 2º turno precisa confirmar o resultado.
Juros reais altos e o efeito sobre a economia
O Brasil tem um dos maiores juros reais do mundo, acima de Rússia, Turquia e Argentina, mesmo sem guerra, crise inflacionária ou fragilidade externa, segundo o report. A economia real já sente os efeitos: a inadimplência das famílias está entre as maiores em 15 anos, as recuperações judiciais estão em níveis recordes, e atividade e emprego formal desaceleram.
O que seria preciso para estabilizar a dívida pública
Sob os juros atuais, estabilizar a dívida exigiria um superávit primário de quase 5% do PIB. Desde 2002, o setor público nunca registrou superávit primário acima de 4% do PIB. Em cenários simplificados e hipotéticos do report, apenas no otimista (PIB de 3%, juro real de 6% e metas de superávit primário cumpridas a partir de 2027) a dívida não chega a 100% do PIB em dez anos, e mesmo nele não se estabiliza.
Por que os juros reais no Brasil estão tão altos? Segundo o report temático da Ghia Family Office, a inflação acima da meta não explica sozinha uma Selic acima de 13%. Os prêmios na curva de juros vêm da desconfiança sobre as contas públicas, e o próprio Copom reconhece isso em suas atas, ao mencionar a política fiscal como fator importante no prêmio de risco.
O que aconteceu com os mercados depois do 1º turno das eleições de 2026? Na segunda-feira após o pleito, de acordo com o report, o Ibovespa subiu 7,7% e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base nos vértices mais longos da curva DI e mais de 60 pontos-base na curva IPCA+. Para esse ganho se manter, o report afirma que o 2º turno precisa confirmar o resultado.
A troca de governo, sozinha, estabiliza a dívida pública? Não, segundo as simulações do report. Sob os juros atuais, estabilizar a dívida exigiria um superávit primário de quase 5% do PIB, e o setor público nunca registrou superávit primário acima de 4% do PIB desde 2002.
Acesse o report completo
O report temático “O que está em jogo nessas eleições” (Ghia Family Office, outubro de 2026) reúne os gráficos, as simulações de cenários para a dívida pública e a análise completa. Para receber o material completo, clique no botão e preencha o formulário.
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